PLEs | Representação Gráfica

Eis um esboço da minha representação gráfica do PLE:

001 - Cópia

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PLEs |Justificação da Representação

Peço desculpa pela imaturidade, ainda, das ideias que se seguem, mas dado que, para mim, a tarefa se revestiu de uma dimensão considerável, o tempo para as trabalhar foi escasso.
Desde há várias décadas, mas especialmente nos anos 80, que a metáfora que relaciona o cérebro com os computadores tem feito correr muita tinta e alimentado acesas discussões. Hoje em dia, neurocientistas «de topo» como Varela, Maturana ou Edelman, «arrepiam-se» com esta metáfora, utilizando uma panóplia de argumentos para demonstrar o quão inapropriada é.
Não é este o momento nem o contexto adequado para trazer esta discussão, do meu ponto de vista bem interessante e profícua em termos epistemológicos e conceptuais, nem sequer de me posicionar nela. Acrescento, apenas, como nota curiosa, o facto de uma equipa de cientistas da Universidade do Colorado (O’Reiley, 2006 Revista Science] ter descoberto que os neurónios do córtex frontal do nosso cérebro, a «zona nobre», funcionam de modo digital, com um código binário de 0/1 [diferentemente de outros circuitos neuronais, que são sistemas analógicos e paralelos], do mesmo modo dos circuitos eletrónicos dos computadores.

BrainBailly[1]Por que razão, então, colocar aqui a questão do cérebro? Para responder a esta questão terei de descrever brevemente o processo de construção da representação gráfica do meu PLE. Do meu ponto de vista, para realizar este trabalho, eu teria de ter muito claras uma série de questões. Uma delas é um quadro conceptual sólido do que é aprender [e aqui estou a utilizar o conceito na sua forma mais lata]. Pareceu-me também importante clarificar o que é que se passa na nossa cabeça quando estamos a aprender. De que é que precisamos para aprender. E depois, como é que podemos passar este «in» para o «out». E é aqui que entra a «conversa» sobre o cérebro.
Ao contrário da metáfora que apontei acima, parece-me importante fazer o percurso ao contrário: o que é que existe à «nossa mão» que melhor se adapte para simular, em determinados contextos, o que se passa no nosso cérebro, quando estamos a aprender? Daí, também, esta minha representação gráfica ser conceptual e não centrada em ferramentas, nas ações ou nas pessoas.
Um grande pedagogo brasileiro, injustamente pouco referenciado, Lauro de Oliveira Lima, partilha com Steve Jobs a ideia de que a tecnologia implica instrumentos que «ampliam» as nossas capacidades, por exemplo as cognitivas, se nos referirmos ao computadores e aos ambientes que eles envolvem.
Steve Jobs afirma: I think one of the things that really separate us from the high primates is that we’re tool builders. I read a study that measured the efficiency of locomotion for various species on the planet. The condor used the least energy to move a kilometer. And, humans came in with a rather unimpressive showing, about a third of the way down the list. It was not too proud a showing for the crown of creation. So, that didn’t look so good. But, then somebody at Scientific American had the insight to test the efficiency of locomotion for a man on a bicycle. And, a man on a bicycle, a human on a bicycle, blew the condor away, completely off the top of the charts. […] And that’s what a computer is to me. What a computer is to me is it’s the most remarkable tool that we’ve ever come up with, and it’s the equivalent of a bicycle for our minds [1995].
Lauro de Oliveira Lima [não cito, porque estas ideias fazem parte de mim há tanto tempo que agora demoraria imenso a encontrar os sítios exato onde este autor as expressa, embora se situem fundamentalmente na obra Treinamento em Dinâmica de Grupo, 1979] diz que O homem é artificial: ampliou os seus músculos (máquinas), a sua força (energia), a sua perceção (instrumentos), a sua fala (aparelhos), o seu pensamento (computador). A civilização é uma projeção do homem: tudo foi feito pela sua cabeça. Nada se faz, contudo, sem cooperação e sem comunicação. E esta última ideia da cooperação e da comunicação é sustentada por outra onde afirma que nascemos em estado fetal, somos seres prematuros porque aprendemos a ser homens com os outros homens: O útero do homem é o grupo e não a mãe. A inteligência é um fenómeno social. Neste sentido, ou modifica o meio (faz cultura), ou se modifica (aprende). Pensar é uma forma de ação interiorizada (representada).
Hoje em dia, penso que a questão da «ampliação» das nossas competências através da tecnologia se alargou mais ainda a dois níveis: 1) encarando-se as ferramentas tecnológicas, usadas de determinada forma, como ferramentas cognitivas [ideia defendida, por exemplo, por David Jonassen], e 2) utilizando a tecnologia para ligar/conectar pessoas, criando-se redes de comunicação e de colaboração que estão muito para além de sistemas lineares de circulação de informação [à semelhança das redes neuronais?].
Então, não é o cérebro que se assemelha a um computador. Do meu ponto de vista, fomos nós que criámos os computadores à semelhança daquilo que conhecemos sobre o nosso cérebro [e a Inteligência Artificial é disso exemplo]. E isto parece-me importante para usarmos a tecnologia de modo a que esta nos ajude [como disse acima, traga o «in» para o «out»] a criar ambientes de aprendizagem que utilizem e potenciem as operações cognitivas que naturalmente se desenvolvem no nosso cérebro.
Deste modo, um PLE, como o concebo neste momento do meu estudo, implica:
1) um contexto global, [alguns autores utilizam uma denominação que muito me agrada a landscape of learning],  onde o PLE se concretiza;
2) um conjunto de processos, chamemos-lhe «cognitivos», materializados em «caminhos» de pesquisa, seleção, avaliação, análise, trabalho, inquirição, confronto, construção, reflexão, divulgação, feeddback, entre outros, e num conjunto de ferramentas que permitem a manipulação e representação de objetos, através de uma gramática semântica, semiológica;
3) um conjunto de redes, que permitam o exercício da comunicação, interação e colaboração com outros;
4) um processo específico, chamemos-lhe «epigenético», no sentido em que implica as dimensões tempo e história que devem ser consideradas no desenvolvimento, complexificação e auto-organização do sistema, no seu todo, e que são controlados pela pessoa através de processos metacognitivos;
5) uma identidade virtual que, sendo componente da identidade pessoal, é dinâmica e mutável.

Picture2[1]

Estes 5 pontos aqui enunciados deverão estar sustentados/enquadrados por uma teoria, que se deseja explícita e intencional, do processo de aprendizagem, uma vez que um PLE implica competências de auto-direção [self-directed learning] na gestão do mesmo, e onde os aspetos conativos e emocionais/afetivos da aprendizagem [ainda não os tinha referido] têm um papel.
Uma vez que representa, mesmo que inconscientemente, o modo como penso, ao longo do tempo pode contribuir para mapear percursos, tornando visíveis áreas fortes e fracas, orientando o processo de aprendizagem
Não sendo o PLE um produto, mas antes um sistema, apresenta caraterísticas como o facto de se mostrar multidimensional, orgânico, plástico, móvel, criativo [eu gostava que também pudesse ser esteticamente estimulante]. E que, embora possa ser partilhado com outros, tem necessariamente que ser eficaz, para mim.

PLEs | Exemplo peculiar

Peculiar, dadas as caraterísticas da autora deste PLE: 12 anos.

Imagem vídeo 1

Vejam em http://www.youtube.com/watch?v=YEls3tq5wIY [2009]

A 7th grade student gives a tour of her personal learning environment. This project was conducted as part of dissertation research implementing the use of networked learning and construction of personal learning environments in a 7th grade life science class. The PLE in this video was built using http://www.symbalooedu.com

PLEs | Bibliografia anotada

OLYMPUS DIGITAL CAMERARalf Appelt │Keeping your Stuff together [http://appelt.net/2009/09/ich-packe-meinen-koffer-und-nehme-mit/]

Nota prévia

Após ter percorrido e analisado os autores mais marcantes no domínio dos PLEs, apresentados e sistematizados de modo muito claro, sobretudo, no artigo de  José Mota (2009) proposto na bibliografia para este tema, decidi partilhar os dois artigos que se seguem fundamentalmente por duas razões:

1) em primeiro lugar por tentar diversificar, quando faço uma pesquisa bibliográfica, a língua de publicação [especialmente o castelhano e o francês, uma vez que para mim, infelizmente, o alemão é igual ao chinês (!)]; embora o inglês seja dominante e muito autores de outras línguas a utilizem para publicação, penso que é interessante dar sempre «uma vista de olhos» por contextos diversificados.

2) ambos contêm uma perspetiva pedagógica que senti útil para a minha atividade como professora.

Ainda duas outras referências:

1) porque sinto uma simpatia e admiração particulares pelo trabalho de Stephen Downes, aqui fica o endereço de um vídeo, gravado em Julho deste ano, em que este autor, brevemente, analisa a questão dos LMS versus PLEs http://www.youtube.com/watch?v=zDwcCJncyiw

2) porque o trabalho de José Mota é sempre de uma «limpeza» notável, aqui fica o endereço de um trabalho realizado para o SupSys project sobre PLEs http://www.slideshare.net/josemota/personal-learning-environments-15514444. Ainda há pouco, no TICEduca, este autor apresentou um outros trabalho em colaboração com estudantes do MPEL, cuja apresentação, muito interessante para o tema que agora abordamos, se encontra em http://www.slideshare.net/josemota/xle-ecologias-de-colaboraocooperao-e-aprendizagem-online

Artigo 1

Adell Segura, J. & Castañeda Quintero, L. (2011) Los Entornos Personales de Aprendizaje (PLEs): una nueva manera de entender el aprendizaje. In Roig Vila, R. & Fiorucci, M. (Eds.). Claves para la investigación en innovación y calidad educativas. La integración de las Tecnologías de la Información y la Comunicación y la Interculturalidad en las aulas. Stumenti di ricerca per l’innovaziones e la qualità in ámbito educativo. Le tacnologie dell’informazione e della Comunicaziones e l’interculturalità nella scuola. Alcoy: Marfil – Roma TRE Universita degli studi. [acedido em http://digitum.um.es/jspui/bitstream/10201/17247/1/Adell&Casta%C3%B1eda_2010.pdf a 5/12/2012]

Neste artigo, os autores refletem no modo como os PLEs contribuem para mudanças substanciais nas práticas educativas em geral. Apoiados em estudos de autores como, por exemplo, Brown (2010) afirmam que o impacto real da utilização das TIC nos processos educativos formais tem sido insuficiente, uma vez que os processos de aprendizagem desencadeados pelos «populares» VLE, continuam a ser tradicionais: Tampoco es extraño que algunos males endémicos de las aulas de ladrillos y cemento se transladen a las aulas de bits.

Sendo dado adquirido que as caraterísticas da web 2.0 mudaram as possibilidades de relação com a informação e a sua consequente transformação em conhecimento, as fronteiras entre aprendizagem formal, não formal e informal começam a esbater-se. Por isso, falar da «integração» das TIC nos processos educativos formais começa a não ter sentido. A internet é contexto privilegiado da comunicação e da interação que sustentam a aprendizagem permanente.
O PLE é aqui definido como «um conjunto de ferramentas, fontes de informação, conexões e atividades que cada pessoa utiliza de forma assídua para aprender». Ele ultrapassa em muito as questões puramente tecnológicas uma vez que envolve espaços e estratégias mentais [o mental é inferência minha] que as pessoas utilizam naturalmente para aprender. A tecnologia apenas o nutre e amplia. Neste sentido, e na sequência de Attwell (2007, 2010), Waters (2008) e Downes (2010), os autores assumem o PLE como uma ideia pedagógica assente numa conceção de aprendizagem com uma natureza, relações e dinâmica próprias.

De acordo com o modelo de Attwell (2008) o PLE alimenta-se de ferramentas que colocam em jogo três processos cognitivos primordiais: ler (no sentido mais amplo do termo), refletir e partilhar. Então, as ferramentas essenciais serão aquelas que nos permitem utilizar 1) estratégias de leitura (onde ir buscar informação); 2) estratégias de reflexão (onde modificar as informação) e 3) estratégias de relação (onde relacionar-me com outros). Desenvolvem, então, estas últimas, baseados em Waters (2008) e Castañeda e Gutiérrez (2010), analisando as redes pessoais de aprendizagem e distinguindo três tipos de redes em função dos seus objetivos e do tipo de aprendizagem envolvido: 1) aquelas em que nos relacionamos através dos objetos que partilhamos (exemplo Youtube); 2) aquelas em que nos relacionamos através das experiências e atividades que partilhamos (exemplo Delicious); 3) aquelas em que nos relacionamos com outros (exemplo Facebook).

Deste modo, o PLE não é apenas um contexto tecnológico, mas um contexto de relações que propiciam a aprendizagem. E eles são «personalizados» na medida em que espelham o modo como nos posicionamos no mundo, face aos outros, e o modo como pensamos e aprendemos. Do meu ponto de vista, este artigo toca em alguns dos pontos essenciais da utilização dos PLEs na aprendizagem formal, a saber, o reforço da ideia de que a sua utilização não é sustentada por argumentos técnicos, mas fundamentalmente por argumentos «filosóficos, éticos e pedagógicos». Ou seja, as dificuldades da sua utilização não se centram em variáveis como a disponibilidade de recursos e de competências de gestão dos mesmos, mas em crenças e teorias implícitas do processo de aprendizagem.

Desenvolverei mais esta ideia aquando da reflexão sobre a representação gráfica de um PLE, mas penso que poderemos ir um pouco mais adiante na discussão sobre os PLEs. Se descolarmos da perspetiva que eles são adequados ao tempo em que vivemos e aos recursos que temos disponíveis, vendo-os como consequência, e utilizarmos o conhecimento que hoje temos sobre o modo de funcionamento cerebral dos seres humanos, talvez possamos concluir que eles são o espelho do modo como, naturalmente, pensamos e aprendemos.

Artigo 2

Ebner, M., Schön, S., Taraghi, B. & Drachsler, H. (2011). First steps towards an integration of a Personal Learning Environment at university level. In R. Kwan et al. (Eds.). Enhancing Learning Through Technology. Education Unplugged: Mobile Technologies and Web 2.0. 6th International Conference, ITC 2011, Hong Kong, China, July 11-13, 2011. Berlin Heidelberg: Springer. [acedido em http://dspace.ou.nl/bitstream/1820/3845/1/ICT_tugraz_ple.pdf a 6/12/2012]

A escolha deste artigo, à primeira vista menos atraente do que o anterior (ou do que muitos outros com reflexões inestimáveis sobre PLEs) prende-se com o facto de descrever de modo sistematizado o modelo de uma experiência de utilização de PLEs na Technical University of Graz (Austria). Ainda que situada num contexto alargado, que envolveu toda a instituição, poderá ser um contributo interessante na sequência do artigo de Morgado (2011), que descreve uma situação concreta num programa de estudos em particular.

O artigo organiza-se em cinco partes, nas quais: 1) aborda o conceito de PLE; 2) discute alguns dos desafios que se colocam à aprendizagem através de PLEs; 3) carateriza o background técnico e o widget padrão dos PLEs; 4) descreve um primeiro protótipo de um PLE, desenvolvido na instituição, bem como uma primeira avaliação especializada; 5) sintetiza as principais ideias e apresenta questões para futura investigação, com cenários prospectivos. Os autores apresentam um conceito consensual de PLE as learning applications that enable learners to integrate and organize dispersed online information, resources and contacts, and furthermore allow for content and other elements developed in a PLE to be applied in other online environments (Schaffert & Kalz 2009)

Neste contexto, os autores recorrem, curiosamente, ao campo da Inteligência Artificial, no qual «a personalização automática de um conteúdo é encarada como uma adaptação automática do conteúdo de aprendizagem através de um sistema pré-definido por um modelo especialista». Recorrem a Schaffert e colaboradores (2008) para explicar que: (i) learning is mainly dynamic, permanently under development and only shallowly categorized; (ii) referring to current learning theories, the learners are to be seen as active, self-organized creators of their learning environment, and (iii) social involvement and interaction is crucial for learning. Argumentam, ainda, na sequência de Wild, Mödritscher & Sigurdason (2008) que utilizar novas formas de aprendizagem personalizada implica novas ideias sobre a aprendizagem: learning to learn is more important than (re-)constructing field-specific knowledge, therefore the establishment of a (networked) learning environment can already be seen as a learning outcome. From a pragmatic point of view, a system that was built on emergence should be more powerful than ‘programming’ by rules.

Relativamente aos desafios pedagógicos que os PLEs colocam, é apresentada um quadro (Schaffert & Hilzensauer, 2008) que sistematiza, comparativamente, as caraterísticas dos LMS dos PLE e os desafios e mudanças relativamente a sete parâmetros: 1) papel do aprendente; 2) personalização; 3) conteúdos; 4) envolvimento social; 5) Domínio; 6) cultura educativa e organizacional; 7) aspetos tecnológicos.

A finalidade de um PLE não pode ser reduzida a um conjunto de ferramentas utilizadas na universidade ou na Internet. O fundamental é que os estudantes sejam capazes de se adaptar a um ambiente de aprendizagem onde se sintam confortáveis, de modo a serem capazes de decidir que ferramentas pretendem utilizar e integrar no seu ambiente. Da mesma forma, cada ferramenta ou serviço que é integrado num PLE deve ser facilmente configurável para atender às necessidades individuais.

Apesar de também estes autores estarem convictos de que a mudança dos LMS para os PLEs é difícil e de que ainda não está a acontecer como seria desejável, sugerem que a mera existência de inúmeras ferramentas e conteúdos disponíveis na web incentivam [de alguma forma «empurram», digo eu] as instituições de ensino formal a utilizar cada vez mais os PLEs. A Technical University of Graz implementou então um primeiro protótipo de PLE, que permite acesso centralizado aos serviços da universidade, como sistemas de administração, LMS ou blogosfera. Os autores descrevem detalhadamente alguns dos widgests disponíveis.

Uma das questões relacionadas com a dificuldade de gestão dos PLEs é a quantidade e velocidade de dados que são recebidos num curto espaço de tempo. Para melhor apoiar os estudantes a estruturar e a filtrar o fluxo de informações, os autores identificam 4 áreas em que é necessário trabalhar/investigar para otimizar o sistema: 1) navegação; 2) widgets; 3) trabalho com pares; 4) hibridez. Para além disto, colocam ainda a questão de alargar o PLE a utilizadores móveis.